Segunda-feira, Janeiro 17, 2005
Tudo se transforma?
Pela lei de Lavoisier, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Será que com o Amor também é assim? Ou seja, o sentimento que um dia nutrimos por uma pessoa ficará sempre conosco como uma energia cintilante e oscilante esperando para ser transformada? Canalizada para outra pessoa? Para outros alvos, então? Às vezes me questiono se o amor um dia acaba. Posso estar errado, mas, na minha visão, se o amor acabou, então não foi amor. Foi paixão. Esta, sim, acaba. E pode vir primeiro que o amor. A paixão pode virar amor. Mas o amor... penso que não vira paixão. Esta é algo que arrebata, que pressupõe contato, tato, vontades loucas, desejos mútuos. O amor já é algo mais sublime. Que não acaba. A paixão termina. O amor transforma. Não se perde. E não é criado; surge da transformação dos nossos sentidos. Das nossas necessidades. O amor não é egoísta: penso que podemos amar mais de uma pessoa em nossa rápida passagem por estas terras. Amar, contudo, não pressupõe convivência. Se o relacionamento não comporta estar mais junto, nada impede que se continue amando... amando “à distância”, e que venhamos a sentir o mesmo por alguém novamente. O que foi, não está perdido. O que é, foi transformado; é algo novo, mas não criado. Enfim, talvez a paixão e o amor andem lado a lado. O grande segredo, talvez, seja desvendar as nuanças de cada um e não deixar que tanto um quanto outro nos impeçam de voar e transformar a nós mesmos.
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