Sexta-feira, Dezembro 17, 2004

O Natal e Eu 

Acho que eu preciso mudar a minha opinião sobre o Natal. Dizem que ele é tempo de festa, de alegria, de renovação, de união, de paz... Entretanto, eu não sou um dos mais entusiasmados com Natal. Estive me questionando o porquê de ser assim e, como todo ser humano precisa culpar alguém ou alguma coisa, acho que a razão de tamanha falta de empolgação se deve a meu primo. Quando eu tinha precisos sete anos, em uma “conversa” na minha casa, ele, com seus 12 anos, me contou a verdadeira história do Papai Noel. Pôxa, eu ainda era uma criança e acreditava nisso. Escrevia cartas ao Papai Noel, juntamente com minhas irmãs mais novas, e a minha mãe as postava. Qualquer pessoa pode imaginar a decepção quando se trata de desvendar esta verdade. Não acreditando nele, eu acabei perguntando à minha mãe se aquilo era verdade. Ela disse que não, que Papai Noel existia. Estávamos quase em dezembro, e lembro que eu estava na primeira série. Aquele não foi um Natal comum. Lembro-me, também, que ganhei a tão sonhada bicicleta BMX, azul... mas este presente me marcou para sempre, porque, tive certeza, era um presente do meu pai, e não do Papai Noel. Eu cultivei esta fantasia nas minhas irmãs até muito tempo. Escrevia com elas as cartas e, aí, ao invés de um presente só, eu achei melhor elas colocarem mais sugestões, assim, se meu pai não pudesse comprar um, compraria outro. Hoje, vendo a empolgação aqui em casa para o Natal, eu não consigo me emocionar. A casa fica toda enfeitada, é luz no jardim, papai Noel até no banheiro. Botinhas espalhadas, só falta a rena do nariz vermelho, que um amigo mais cruel disse que sou eu. Esse ano, a novidade foi colocar na árvore nossos desejos para o ano que vem. Pensei e não hesitei. Fiz uns vinte pedidos em papel cartão e amarrei todos com uma linha. A regra era uma galha da árvore para cada filho. Acabei precisando da galha de alguém, já que meus desejos não couberam numa só. A coisa acaba ficando mais deprimente quando você vai ao shopping. Não há lugar para estacionar, há milhares de crianças sem pais com as quais você acaba trombando. E o pior: ir ao banheiro e escutar aquela música terrível de jingle bells martirizando a minha existência. Passo o natal na casa da minha avó materna cuja família é muito reduzida. A comida daria para alimentar 4 vezes mais o número de presentes. Quando eu era “pequeno” lembro que ficava todo ansioso para poder chegar em casa e ver o que Papai Noel havia deixado. Ainda hoje, temos o costume de deixar os sapatos na árvore e, mesmo sabendo quem é Papai Noel, minha mãe faz questão de colocar os presentes lá. E ninguém pode ver. Nós ficamos todos no carro esperando que ela fique pronta mas sabendo muito bem o que ela está fazendo. Admiro isto nela. E venho tentando mudar minha impressão sobre o Natal.

Sobre a minha amiga do post anterior, ela acabou me ligando. Ficou quase uma hora ao telefone se justificando comigo. Tendo presenciado muito do que ela passou e também sendo um confidente seu, consegui apenas dizer que eu continuava gostando dela da mesma forma. Basta, agora, que ela consiga traçar novas metas e ver como ela gostará de viver sua vida, ou, pelo menos, seus próximos cinco anos. Os problemas aqui são muitos para ela e, sem querer ser egoísta, estou um pouco cansado de ouvir sempre a mesma coisa e faltar atitude da parte dela. São muitos anos de amizade e, pelo menos, dez com as mesmas lamúrias. Vamos nos encontrar semana que vem e aí tudo isso se resolve. Não consigo guardar mágoa de ninguém (o que não é o caso dela) e talvez seja por isto que algumas pessoas insistam em pisar em mim de vez em quando. C'est la vie!

Não sei por que mas os comentários do blog de julho para trás sumiram... será que eles “expiram”?

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