Quinta-feira, Outubro 21, 2004
Perdas e ganhos
Possuo um círculo restrito de amigos verdadeiros, daqueles que a gente divide até os pensamentos mais sórdidos. De um tempo para cá, expandi um pouco a quantidade deles, mas os números podem ser contados ainda nos dedos da mão. E, infelizmente, às vezes, Deus vai afastando essas pessoas do nosso convívio. Houve uma época em que eu tinha uma grande amiga, que conheci fora daqui. Uma longa história, mas a verdade é que eu sentia uma sintonia muito boa vindo dela e houve uma afinidade muito recíproca entre nós. Fiquei um mês na sua casa e foi o bastante para me apaixonar e ver a pessoa especial que ela era. Na volta, nosso contato físico foi extinto, mas eu fiquei ainda mais próximo. Uma vez por mês eu chegava à noite da aula e o telefone tocava. Ficávamos um grande tempo conversando, naquele sistema de cartões onde você fala por horas a fio por um preço bem acessível. Minha vida virou uma festa, o que causou ciúmes em várias pessoas, inclusive em minha mãe, já que as duas tinham a mesma idade. Entretanto, alguns percalços aconteceram na vida dela. Como sempre, o amor, quando traído, arruína. E se você não estiver muito bem consigo mesmo, sua vida pode começar a desabar. Não pude estar presente fisicamente nesta sua dificuldade, mas tentei o fazer através de inúmeros telefonemas, e-mails, pequenas lembranças enviadas pelo correio. Contudo, ela foi mudando no seu jeito de ser. Achou refúgio na religião e se tornou uma protestante americana ferrenha, daquelas de assustar qualquer um. Nisso, eu senti um vazio muito grande. Senti-me meio perdido. Traído talvez. Mas respeito a sua atitude de se distanciar. Foi mais uma perda bastante significativa na minha vida que eu custei a superar. Sei que não devia tanto, mas eu me envolvo muito com as pessoas de quem eu gosto. Amigos são jóias raras. Anjos aqui na terra com quem a gente pode contar. Mas este anjo não voa mais para o meu lado. Está presente somente no meu coração e nas minhas lembranças.
Agora, vejo-me na mesma situação com uma outra amiga, mais antiga, com 16 anos de convívio, com idade também para ser a minha mãe. Uma mulher de quem eu gosto muito e sempre admirei. Temos o costume de pelo menos uma vez a cada dois meses saírmos para algum lugar a fim de tomar um vinho e jogar conversa fora. O nosso papo é uma verdadeira terapia. Nossos assuntos nunca chegam ao fim porque são interrompidos por outros pensamentos, outras falas que vão deixando o raciocínio incompleto. Ocorre agora que ela está de partida. Não sei por quanto tempo e nem sei se volta. Mas vai para longe... ficando inacessível fisicamente. Não é o fim do mundo nem da amizade, eu sei, mas a falta já começa a ser sentida. Será que é meu destino me afastar das pessoas de quem eu gosto? Acredito que não, mas confesso estar um pouco triste. Fica sempre um vazio e o lugar destas pessoas não pode ser preenchido. Porque são amizades despretensiosas onde há uma cumplicidade no olhar e uma troca de energias muito equilibrada. O que posso fazer é torcer para que as coisas dêem certo e me acostumar com a nova realidade. O bom nisso tudo é que há um anjo que vem chamando muito a minha atenção, com quem tenho divido alguns momentos de entretenimento e embaladas conversas sobre a vida. É muito estimulante perceber-se atraído por alguém; só não sei se o sentimento é de todo recíproco. Mas vale a pena observar o movimento de seus olhos e guardar aquele brilho que me traz sempre a vontade de querer vê-lo novamente.
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Agora, vejo-me na mesma situação com uma outra amiga, mais antiga, com 16 anos de convívio, com idade também para ser a minha mãe. Uma mulher de quem eu gosto muito e sempre admirei. Temos o costume de pelo menos uma vez a cada dois meses saírmos para algum lugar a fim de tomar um vinho e jogar conversa fora. O nosso papo é uma verdadeira terapia. Nossos assuntos nunca chegam ao fim porque são interrompidos por outros pensamentos, outras falas que vão deixando o raciocínio incompleto. Ocorre agora que ela está de partida. Não sei por quanto tempo e nem sei se volta. Mas vai para longe... ficando inacessível fisicamente. Não é o fim do mundo nem da amizade, eu sei, mas a falta já começa a ser sentida. Será que é meu destino me afastar das pessoas de quem eu gosto? Acredito que não, mas confesso estar um pouco triste. Fica sempre um vazio e o lugar destas pessoas não pode ser preenchido. Porque são amizades despretensiosas onde há uma cumplicidade no olhar e uma troca de energias muito equilibrada. O que posso fazer é torcer para que as coisas dêem certo e me acostumar com a nova realidade. O bom nisso tudo é que há um anjo que vem chamando muito a minha atenção, com quem tenho divido alguns momentos de entretenimento e embaladas conversas sobre a vida. É muito estimulante perceber-se atraído por alguém; só não sei se o sentimento é de todo recíproco. Mas vale a pena observar o movimento de seus olhos e guardar aquele brilho que me traz sempre a vontade de querer vê-lo novamente.