Terça-feira, Outubro 26, 2004
Ex é que nem roupa velha??
Recebi por e-mail, de uma amiga, esta frase: Pensamento do dia: "Ex-namorado é que nem vestido: você vê em foto antiga e não acredita que teve coragem de um dia sair com aquilo." Fiquei pensando nisto por um tempo, mas, com todo respeito a você, que me mandou a frase, eu discordo. Passados aqueles momentos que procedem um fim de namoro, como angústia, saudade, choros, enfim, toda aquela aura de melancolia, eu não costumo vê-los como um vestido que hoje está fora de moda. Na verdade, não tive tantos ex-namorados assim: dois apenas. Mas são duas pessoas formidáveis de quem não tenho o mínimo de arrependimento em ter conhecido. Pelo contrário, aprendi bastante com os dois, cada um com suas qualidades. E menores qualidades também, afinal, ninguém está isento de não possui-las. Hoje olho para trás e, ao invés de sentir arrependimento por ter saído com eles, vejo que tive foi sorte em conhecê-los. Claro que nem tudo foram flores, até mesmo porque um namoro assim é quase impossível. Mas a maioria dos momentos foram mágicos, recheados de muito riso, carinho e respeito. Fico muito preocupado com estas pessoas que ao terminarem um longo relacionamento se negam completamente. Passam a enxergar somente os defeitos da pessoa com quem dividiram sua intimidade por anos a fio. Chegam a passar do outro lado da rua só para não cumprimentá-los. Como, então, conseguiram ficar todo este tempo e não enxergaram aquilo que hoje elas tanto abominam na pessoa? Tudo bem que há casos e CASOS. Mas, na maioria, o que vejo é isto: a pessoa termina e desde então não quer nem ouvir falar no ex. Tenho comigo que ex bom é ex morto. Isto porque a gente não desgosta de um dia para o outro e penso que, se terminou realmente, e o envolvimento foi grande, para mim é muito difícil ficar como amigo. Abomino a frase: "Vamos ser amigos, então". Isto só o tempo dirá, depois de cicatrizadas as feridas e com a gente por inteiro novamente. Agora, isto não faz com que eu um dia venha a renegar tudo aquilo que vivi. Que o enxergue como a tal roupa velha que, ao vê-la hoje, serviria apenas para usá-la numa festa brega. Ou seja, uma prova de que aquilo foi ridículo um dia. Sem críticas, penso que estas pessoas deveriam, então, avaliar melhor o que querem para si. Assim, daqui a alguns anos elas também não correrão o risco de serem comparadas com este vestido velho com o qual alguém teve coragem de sair um dia.
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